Assembleia da República / Senado

A Sala do Senado resulta da reformulação da Câmara dos Pares que o arquitecto Possidónio da Silva havia instalado na antiga Sala do Capítulo do convento beneditino, após ter concebido uma breve adaptação.
Cerca de 1865, o arquitecto Jean-François Colson, projectou alterações profundas para a sala que foi inaugurada em 1867.
De planta semicircular e disposição em anfiteatro, a sala organiza-se com tribunas simples em cada extremo e uma reservada em posição central, 2 ordens de camarotes que se sucedem em grupos de 15 com 2 varandas superiores de metal forjado, e separadas por uma série de 22 colunas em mármore, de capitel compósito com o escudo nacional e as quinas.
O pavimento é em parquet de madeira de carvalho com embutidos de pau-cetim.
O tecto, revestido de estuque, foi pintado a grisaille, em tromp l’oeil, simulando cartelas em baixos-relevos com motivos geométricos e figurativos, da autoria do pintor-decorador E. Cotrim, responsável também por decorações semelhantes no Palácio da Ajuda.
Uma clarabóia em vidro fosco proporciona iluminação zenital natural a todo o espaço.
Junto às galerias, ao longo do anfiteatro, dispõem-se oito bustos em mármore representando os Pares ilustres Duque de Palmela, da autoria de Araújo Cerqueira (1851); D. Guilherme e Duque da Terceira, ambos da autoria de Manuel Bordalo Pinheiro; Conde de Lavradio, da autoria de Miguel Santos (1891); Duque de Loulé, da autoria de Anatole Calmels (1876); Duque de Saldanha, da autoria de Alberto Nunes (1877); Duque de Ávila e Bolama e Fontes Pereira de Melo, ambos da autoria de Simões de Almeida (sobrinho) (1881 e 1887, respectivamente).
O mobiliário presidencial, bem como o púlpito do orador e as portas, de autoria do entalhador Leandro Braga, trabalhados em madeira de castanho, apresentam uma sobriedade das linhas, depuração decorativa e acentuados valores de simetria, característicos da época, ajustando-se de forma perfeita à austeridade das sessões que decorrem na sala.
A frente da mesa da presidência está decorada com dois medalhões em bronze embutidos, da autoria de Anatole Calmels, com os bustos, em baixo-relevo, do Duque de Palmela e do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Guilherme, presidentes da Câmara dos Pares, respectivamente em 1834 e 1846.
Sobre a mesa, em cada extremo, estão dois candeeiros de bronze com representações femininas, em estilo Arte Nova.
O cadeirão é estofado em capitonné e encimado por duas figuras que seguram livros e flanqueiam um medalhão com as quinas e um castelo do escudo português, apoiado num púlpito com a inscrição latina in legibus salus (a salvação está na lei).
Em frente à Mesa da Presidência encontra-se um relógio desenhado por Anatole Calmels.
Deste mesmo autor são as cabeceiras das 2 portas, esculpidas em mármore branco de Carrara com os bustos dos primeiros reis constitucionais, D. Pedro IV e D. Maria II.
Um retrato, pintado por José Rodrigues em 1866, representando o rei D. Luís, monarca contemporâneo da inauguração da Câmara dos Pares, foi colocado na parede por detrás da actual tribuna da presidência.
Nesta sala decorreram as reuniões da primeira câmara (também chamada câmara alta) nas ocasiões em que a nossa lei fundamental instituiu um sistema bicameralista, o que aconteceu com a Carta Constitucional (Câmara dos Pares), com a Constituição de 1838 (Câmara de Senadores) e com a Constituição de 1911, a primeira da República (Senado). Durante o Estado Novo teve aqui assento a Câmara Corporativa.
Após a revolução de 25 de Abril de 1974, e consagrando a Constituição de 1976 um sistema monocameral, a sala tem tido utilização diversa, acolhendo nomeadamente reuniões de grupos parlamentares e de comissões parlamentares, conferências e seminários.


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