Assembleia da República / Sala Lisboa

A Sala Lisboa é também conhecida por Sala Lino António, nome do autor das pinturas a óleo sobre tela que a decoram. Executadas entre 1922 e 1929, elas formam uma espécie de friso historiado, com cerca de meio metro de altura abaixo do tecto, decorando as quatro paredes com ilustrações alusivas a quatro épocas da História de Portugal e seus quatro principais mentores: na parede em frente à porta foi representada uma batalha onde se confrontam as hordas portuguesas, encabeçadas pelo rei, e as hordas mouras, saindo de um castelo; na parede oposta foi representado o Marquês de Pombal segurando os projectos da reconstrução de Lisboa, tendo, à direita, cenas de produção de vidro e tecelagem, e, à esquerda, uma cena de vindima; na parede da direita pode ver-se um outro rei medieval, segurando um livro, acompanhado por um jogral e um galgo (em alusão à caça), vendo-se, à direita, a representação de uma aula leccionada por um professor na cátedra, e, à esquerda, uma cena agrícola; na parede da esquerda foi pintado o Infante D. Henrique com um mapa cartográfico (ou carta de marear), com a representação de um episódio de colocação de um padrão dos Descobrimentos e, à direita, a recepção de portugueses por um rei nativo.
Não descoberto ainda qualquer documento que revele integralmente o conteúdo programático da encomenda, a identificação das pinturas tem suscitado diversas interpretações, sendo, porém, consensual o reconhecimento iconográfico das figuras do Infante D. Henrique e do Marquês de Pombal, ligadas, respectivamente, aos seus feitos nos Descobrimentos e na reconstrução da cidade de Lisboa após o terramoto de 1755.
A nossa proposta de identificação para as restantes figuras representadas são, no 1º caso, o rei D. Afonso Henriques, conquistando Lisboa aos mouros, e o rei D. Dinis, promovendo os Estudos Gerais e a agricultura.
Com esta hipótese, o conjunto das pinturas adquire um sentido global, estabelecendo-se um diálogo de épocas históricas entre a conquista cristã de Lisboa, a criação da Universidade em Lisboa, os Descobrimentos feitos a partir do cais de Lisboa e a reconstrução da mesma cidade. Assim poderá ser explicada a denominação do espaço como Sala Lisboa.
Na chaminé da lareira encontra-se incrustado um relógio de mármore, decorado com as quinas do escudo nacional, com mostrador incorporado e uma máquina francesa, fabricado nos anos 40 do século XX.
A sala, que durante o Estado Novo foi o gabinete de trabalho do Presidente da Assembleia Nacional, é actualmente usada como sala de reuniões e para conferências de imprensa.


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