Mosteiro da Batalha / Mosteiro da Batalha

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória corresponde à materialização de um voto feito à Virgem por aquele que viria a ser o rei D. João I, caso lhe fosse concedida a vitória sobre o exército castelhano na Batalha de Aljubarrota, que teve lugar em 1385, a pouca distância a sul da actual vila da Batalha. O Mosteiro transformou-se, ao mesmo tempo, num símbolo de afirmação do poder da jovem dinastia de Avis. A construção deste magnífico edifício, que nas suas obras maiores se estendeu de aproximadamente 1386 até cerca de 1517, mobilizou recursos materiais e humanos extraordinários, proporcionando a introdução, em Portugal, de técnicas e de modos de expressão artística até então desconhecidos entre nós.
Em 1388 o rei entregou o Mosteiro à Ordem de São Domingos de Gusmão, a qual veio a prestigiar a Batalha, principalmente com os seus estudos teológicos. Ainda durante o reinado de D. João I, o monumento ganhou importância adicional pelo facto de este monarca ter decidido incluir no complexo construtivo o seu próprio panteão (a Capela do Fundador); a tradição de sepultamento dos reis portugueses na Batalha manteve-se até D. João II.
Pensa-se que o Mosteiro da Batalha tenha sido iniciado em 1386, começando por dirigir as suas obras o arquitecto português Afonso Domingues. São da sua responsabilidade muitas das estruturas da igreja, à excepção das abóbadas da capela-mor, do transepto e da nave central, e da fachada principal, bem como das bandeiras e dos coroamentos do edifício. Construiu ainda as naves sul e nascente do claustro principal, assim como as paredes da Sala do Capítulo. O estilo desta fase chama-se gótico radiante e encontra-se patenteado em edifícios portugueses anteriores à Batalha. O mesmo não pode dizer-se do estilo flamejante, praticado pela primeira vez neste mosteiro e aqui introduzido por Huguet, um arquitecto de possível origem catalã, a partir de cerca de 1402.
Manifestações desta nova fase do estilo gótico são a fachada principal da igreja, as naves norte e poente do claustro principal, a abóbada da Sala do Capítulo, a Capela do Fundador e a estrutura de base do Panteão de D. Duarte (as Capelas Imperfeitas). O Claustro de
D. Afonso V não estava previsto no projecto inicial mas à sua construção, dirigida por Fernão de Évora (entre 1448 e 1477), não corresponde apenas uma ampliação funcional: a sua sobriedade é uma reacção à exuberância flamejante, encontrando-se aliás documentada em outros edifícios da época de D. Afonso V. No tempo de D. Manuel retoma, na Batalha, o seu curso normal a progressão do gótico em direcção a um naturalismo que nos remete invariavelmente para volumetrias barrocas. O estilo manuelino nasceu também no Mosteiro da Batalha e daqui irradiou depois para todo o País. As suas manifestações mais antigas e singulares são as bandeiras das janelas do claustro principal (ou de D. João I) e o portal das Capelas Imperfeitas, datando dos últimos anos do século XV. Nos anos 30 da centúria de Quinhentos, ainda se construiu a tribuna das Capelas Imperfeitas, de cariz renascentista italianizante, mas as solicitações de outros edifícios régios então em construção, o mais significativo dos quais foi o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, acabaram por fazer cair a Batalha no esquecimento dos monarcas.
Do pouco acervo conservado, que completava a obra arquitectónica, não podemos deixar de mencionar o que resta dos vitrais medievais. Foi também na Batalha que, tanto quanto se sabe, o vitral foi praticado pela primeira vez em Portugal (c. 1430-1440). Os maiores responsáveis por aquilo que ainda hoje se pode admirar foram mestres alemães e principalmente flamengos. Esplêndidos testemunhos disto são os vitrais da capela-mor da igreja e os da Sala do Capítulo (c. 1514). Ao longo da sua história, o Mosteiro da Batalha sofreu vicissitudes diversas, de entre as quais a extinção das ordens religiosas, em 1834, foi uma daquelas que mais dramáticas consequências teria. Em 1840, impressionado pela ruína e pelo abandono a que entretanto fora votado o monumento, o rei D. Fernando II empenhou-se em mobilizar os recursos necessários à sua recuperação. As campanhas de restauro perdurariam até às primeiras décadas do século XX, garantindo, sem dúvida, a integridade desta jóia da arquitectura gótica mas amputando também, no verdadeiro afã de regresso à pura medievalidade, inúmeros vestígios das vivências multisseculares do Mosteiro. Em 1980 nasce o Museu do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, o qual tem como principais objectivos contribuir para o estudo, para a compreensão e para a salvaguarda do monumento da Batalha, através de actividades de investigação, de divulgação e conservação. Na dependência do Museu existe uma oficina de cantaria e outra de vitral. Em 1983 o Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi integrado pela UNESCO na sua lista do Património Mundial.


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